17/02/2009
APRESENTAÇÃO
Quando fui convidado para escrever este BLOG, antes de mais nada pesquisei e descobri o quanto é difícil para os brasileiros terem acesso á este tipo de material. Além do seu alto custo, geralmente só é encontrado em lojas de artigos evangélicos e destina-se para o estudante de Teologia. Este fato me serviu de mola propulssora, e desejo fazer deste espaço um lugar de aprendizagem mútua. Fiquem á vontade para postar seus comentário e dúvidas. Abraços ! SHALOM !
TERMOS GERAIS
O HEBRAICO É UMA LÍNGUA DE FAMÍLIA SEMÍTICA, E TODAS AS LINGUAS DESTA FAMÍLIA SE ESCREVE DA DIREITA PARA A ESQUERDA. OS CARACTERES ESTRANHOS E A FORMA DIFERENTE DE FALAR SE TORNA UM POUCO MAIS COMPLICADO DE ESCREVER E FALAR PARA OS OCIDENTAIS, MAS EM TERMOS GERAIS, AS MODALIDADES DO VERBO SÃO UM POUCO MAIS COMPLEXAS. PARA TANTO, AO ESTUDAR ESTE IDIOMA PRECISAMOS TER EM MENTE ESTE OBJETIVO BEM DEFINIDO. PARA AQUELES QUE DESEJAM APENAS LÊR E TRADUZIR TALVEZ SEJA MAIS FÁCIL, PORÉM NÃO MENOS TRABALHOSO, POIS A SIMPLES AUSÊNCIA DE UM PONTO OU SINAL, MODIFICA TODO O CONTEXTO E TRADUÇÃO. E PARA AQUELES QUE DESEJAM IR MAIS ALÉM E FALAR ESTE IDIOMA, SUGIRO QUE DÊEM UM PASSO DE CADA VEZ, UM PERÍODO DE ADAPTAÇÃO AJUDARÁ O ESTUDANTE Á SE FAMILIARIZAR COM AS NUANCES DA LINGUA HEBRAICA.
O HEBRAICO POSSUI EM SEU ALFABETO 22 LETRAS PRINCIPAIS, ALGUMAS DESTAS SÃO USADAS DE FORMA ESPECIAIS, QUANDO APARECEM NO FINAL DE UMA PALAVRA POR EXEMPLO. O HEBRAICO NÃO POSSUI VOGAIS, APENAS CONSOANTES, E OS SINAIS USADOS PARA REPRESENTAREM AS VOGAIS, INVENTADOS PELOS MASSORETAS, NÃO FAZEM PARTE DA GRAMÁTICA, PORÉM, PARECEM QUE SÃO ESSENCIAIS PARA A LEITURA NO MUNDO OCIDENTAL.
AS LETRAS QUE FORMAM O ALFABETO HEBRAICO SÃO CHAMADAS DE QUADRÁTICAS, POR SUA FORMA LIGEIRAMENTE QUADRADA DE SE ESCREVER E COMUMENTE USADA EM IMPRESSOS. EXISTEM TAMBÉM AS CURSIVAS, QUE É A ESCRITA Á MÃO LIVRE.
ASSUNTOS PARA COMENTÁRIOS:
TEXTO MASSORÉTICO; TEXTO CONSONANTAL; MANUSCRITOS DO MAR MORTO ( HIRBET QUMRAN, WADI MURABBA´AT, NAHAL HEVER E MASSADA ); MASORA PARVA, MAGNA E FINALIS; MASSORETAS ORIENTAIS E VOCALIZAÇÕES SIMPLES E COMPLEXAS; MASSORETAS OCIDENTAIS ( GRUPO TIBERIENSE, PALESTINO); ETC.
AGRADECIMENTOS
Desde já agradeço aos comentários e perguntas que chegam, estarei respondendo á medida do possível, SHALOM !!
OS MASSORETAS E SUA COLABORAÇÃO AO TEXTO HEBRAICO
Os massoretas surgiram durante o período medieval como os sucessores dos antigos escribas judeus. Esses massoretas se dedicaram a copiar e transmitir o texto da Bíblia hebraica e deteve um sistema muito rígido de preservação e controle do texto hebraico, e como resultado esperavam prevenir erros nas futuras cópias do texto por massoretas posteriores. Dois ramos principais surgiram do grupo dos massoretas, os orientais e os ocidentais. As diferenças entre esses dois grupos explicarei mais adiante, quero agora, apenas mostrar como era árduo o trabalho desses escribas.
Para a produção de um único códice manuscrito massorético, era necessário um trabalho em conjunto de no mínimo três pessoas dividas em suas respectivas funções: O sôfer, o naqdan e o ba`al ham-massôrâ. Cada pessoa tinha uma função diferente e muito árdua, por que, segundo a tradição, os massoretas não podiam COPIAR um texto, mas tê-lo na mente sem faltar uma letra sequer.
O sôfer era o escriba responsável pela escrita do texto hebraico apenas com as consoantes, o trabalho deste escriba levava tempo e lhe custava experiência, pois o sôfer tinha que escrever o texto sem poder copiá-lo, para tanto, devia tê-lo na mente, letra por letra, e se cometesse um erro numa simples palavra, todo o rolo era queimado.
O naqdan era o responsável de acentuar as palavras, este teria que conhecer toda a estrutura gramatical, bem como as sílabas tônicas de cada palavra, especialmente se tratando do livro dos salmos que eram cantados, era necessário mais que sinais de vocalização, mas sim de expressão musical e pausa.
O ba´al ham-massôra era o escriba responsável pelas notas de rodapé chamadas de massôra, A massôra se dividia em três: Magna, parva e finalis. Nestas notas continham breves explicações do texto hebraico ou mudanças que a língua sofria com o tempo.
Embora o trabalho de cada um desses escribas fosse valioso, eles ainda não eram considerados massoretas. Com o tempo, quando apenas uma só pessoa fazia todo o trabalho, essa pessoa passou a ser chamada de massoreta Haviam dois grupos de massoretas:
• Massoreta-mestre, era quem sistematizava todo o manuscrito, as mudanças que este deveria ter, bem como os sinais de vocalização. O massoreta-mestre elaborava a aplicação dos acentos de cantilação e notas massoréticas.
• Massoreta-discípulo, era uma espécie de preparação á massoreta-mestre. Ele era responsável pela cópia de códices com sistema massorético já concluído.
Escrito por MARCIO YOSSEF às 20h20
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O DESENVOLVIMENTO DA LÍNGUA HEBRAICA.
- Hebraico Bíblico
Este seria o estágio inicial do idioma hebraico, de modo que os vocábulos mais antigos talvez não foram compreendidos da mesma forma quando os últimos escritos do cânon foram completados. O Paleohebraico era o alfabeto utilizado até o período do primeiro Templo e muito semelhante ao alfabeto fenício. Mesmo em papiros relativamente recentes, encontrados em Qunram, encontra-se escrito em grafia Paleohebraica o tetragrama, que é a escrita do nome do Criador.
A maior parte dos escritos são do período da monarquia unida ( Saul, David e Salomão ), e ainda, estes textos nos mostram uma preocupação ímpar dos escritores por não usarem o que chamamos de estrangeirismo nestes textos.
Foram encontrados nas ruínas do palácio real de Samaria, cerca de 60 óstracos inscritos em modo paleohebraico. Registros de uma produção vinícola, datando do tempo de Jeroboão II. Contém ainda nomes de lugares e pessoas.
Com forte influência aramaica, surge após o exílio Babilônico o Hebraico Bíblico Pós-Exílico, o alfabeto PaleoHebraico foi sendo substituído gradativamente pelo alfabeto quadrático, de origem aramaica. O aramaico, antes conhecido como caldaico ou caldeu, foi usado para escrever partes da Bíblia que conhecemos, como em Esdras 4:8 a 6:18, e 7:12-26. Os targuns aramaicos são um exemplo desta influência e do contato quase que permanente dos hebreus com os arameus.
- Hebraico Talmúdico
Após o exílio babilônico, o hebraico bíblico já tendo sofrido intervenção do aramaico e outras línguas que neste período predominavam, foi ficando confinado ao uso religioso e aos estudos bíblicos. Foi neste período que houve uma expansão em termos de vocabulário para o hebraico, porém, o hebraico talmúdico preservou a morfologia e a sintaxe do hebraico bíblico, apesar das evoluções na semântica e das alterações com o decorrer do tempo.
- Hebraico Medieval
No período do Hebraico Medieval, surge a necessidade de fixar e definir uma estrutura gramatical para o Hebraico. No período de transição ( Talmúdico-Medieval ) percebeu-se as novas possibilidades gramaticais e lexicais e, assim, teve inicio um esforço no sentido de aprimorar seu idioma. Durante o desenvolvimento deste período, apesar do hebraico estar confinado ao estudo religioso, este idioma continua tendo uma literatura próspera.
Como vimos anteriormente, foi no período medieval que se desenvolveu a vocalização, com o surgimento dos caracteres massoréticos.
Desenvolveram-se três sistemas de vocalização, a saber:
Sistema Babilônico :
- Simples à Este foi o primeiro sistema de vocalização a surgir e consiste de seis vogais e não sons para representar semivogais. Quatro consoantes são usadas para representar sons vocálicos. Os sinais eram supralineares, ou seja, os sinais eram colocados acima de cada consoante. É chamada de simples por ter um número resumido de sinais, por exemplo, faltam sinais para representar o daguesh forte, o maqqef e o qamets e outros.
- Complexa à Este sistema foi o resultado da evolução do sistema simples, e além dos sinais habituais, o sistema complexo trouxe outros sinais com muitos detalhes e fonemas. Mesmo com seu grande número de sinais e fonemas formados a partir de consoantes, o sistema Babilônico ainda era incompleto e complexo demais para ser entendido, e talvez por causa disso tenha sido suplantado pelo sistema Tiberiense.
Sistema Palestino
Assim como o método Babilônico, os sinais vogais do sistema Palestino são usados acima e um pouco á esquerda das consoantes. Apesar de conter sinais para a maioria dos sons, este sistema não era usado com freqüência, ou, somente em casos para se evitar ambigüidade.
Sistema Tiberiense
Como podemos observar nos textos das edições atuais da Bíblia hebraica, o sistema Tiberiense é infralinear, ou seja, os sinais vocálicos são colocados acima, abaixo e ao lado das consoantes. Este sistema é o único usado hoje tanto no hebraico bíblico como no moderno. Uma particularidade deste sistema é que todas as comunidades judaicas aceitam-no, e com resultado não há divergências textuais.
Os massoretas acreditavam ter criado um sistema para fiel representação do hebraico, porém, estudiosos argumentam que estes sistemas massoréticos não refletem nenhum estágio do hebraico bíblico. Ainda outros acreditam que os sistemas remontam uma época dialetal, assim esses sinais não seriam mera representação, mas uma obra importante para o resgate da pronúncia do hebraico bíblico.
- Hebraico Moderno
Com o iluminismo europeu, o Hebraico Bíblico preencheu a necessidade dos literários, isso levou á uma enxurrada de material literário hebraico, dando assim, por contra-partida, uma aceleração no desenvolvimento sionista. E com o isolamento do hebraico devido ao pré-modernismo e o surgimento de nações que obviamente estão ligadas ás suas línguas de origens, os judeus foram beneficiados com a sua auto-preservação.
É neste estágio que reaparece o Hebraico, como língua oficializada do povo judeu, somando-se com a esperança da criação de um estado no oriente médio. Se o hebraico conseguisse permanecer até o surgimento deste esperado estado de Israel, judeus na Diáspora podiam ter uma forma de comunicação própria de origem, uma língua-pátria com a qual pudessem ser identificados.
Com o avanço das ciências, tecnologia e a imprensa, hoje, o hebraico bíblico é difundido na sua amplitude magna, tendo sido responsável por várias expressões antes desconhecidas. A cultura européia também foi fundamental para enobrecer o hebraico hoje falado por milhões, e esse intercâmbio fez-se necessário para a soma do que sabemos hoje á respeito de hebraico.
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